Kuzan (Aokiji) Uma Jornada Controversa da Marinha à Aliança com os Piratas
O personagem Kuzan, mais conhecido pelo codinome Aokiji, é um dos casos mais instigantes da obra de Eiichiro Oda. Sua trajetória passa por ideais nobres, dúvidas morais profundas, renúncia da Marinha e aliança com o controverso bando de Marshall D. Teach (Barba Negra). Nesta matéria, vamos problematizar as atitudes de Aokiji desde seu tempo como almirante, até sua transformação em capitão do décimo navio dos Piratas do Barba Negra. Examinando os questionamentos morais, os “por quês” e as consequências.
TEXTO AUTORALANIMESMANGÁ
A.L.11
11/10/20253 min ler


Aokiji na Marinha: Justiça, concessões e contradições
Quando Aokiji foi introduzido na obra, ele já ocupava o prestigiado cargo de almirante da Marinha, uma das forças mais respeitadas e temidas do mundo. Frio como o gelo que controla com sua Hie Hie no Mi, Kuzan se destacava não apenas por sua força, mas por sua humanidade.
Enquanto outros almirantes agiam cegamente em nome da “justiça absoluta”, Aokiji acreditava em algo mais pessoal: uma justiça preguiçosa, como ele mesmo chamava.
Isso não significava indiferença, mas sim prudência. Kuzan sabia que o mundo não era dividido entre bons e maus, por isso, muitas vezes, suas decisões iam contra o que se esperava de um homem da Marinha.
Ele poupou inimigos. Evitou massacres. Deixou o destino de certos piratas nas mãos do acaso, algo impensável para alguém de sua patente.
Essas atitudes, embora moralmente nobres, colocavam em xeque sua lealdade à instituição. Aokiji servia à justiça, mas não necessariamente ao Governo Mundial.
A Batalha que Mudou Tudo
O ponto de ruptura veio quando o então Almirante da Frota, Sengoku, anunciou sua aposentadoria. Dois candidatos surgiram para substituí-lo: Aokiji e Akainu (Sakazuki).
Se Aokiji representava a justiça humana e ponderada, Akainu era o oposto: o símbolo da justiça absoluta, aquela que não admite meio-termo e que destrói tudo o que se opõe ao Governo.
A disputa entre eles foi brutal, dez dias de combate ininterrupto na ilha de Punk Hazard, que ficou literalmente dividida entre fogo e gelo.
Kuzan foi derrotado, e o preço não foi apenas físico. Ele recusou continuar servindo sob o comando de Akainu e decidiu abandonar a Marinha.
A partir desse momento, Aokiji deixou de ser um almirante e se tornou um homem à deriva. Sem bandeira, propósito e, talvez, sem fé em qualquer tipo de sistema.
Aokiji e a Zona Cinzenta da Justiça
Após sua saída, Aokiji desapareceu dos olhos do mundo. Rumores surgiram de que ele estava viajando sozinho, investigando o Governo Mundial, ou até se aproximando dos Revolucionários.
Mas o choque veio quando foi confirmado que Kuzan se juntou ao bando de Marshall D. Teach, o Barba Negra, tornando-se capitão do décimo navio.
A notícia caiu como uma bomba.
Como o mesmo homem que um dia lutou para proteger civis e se opôs aos abusos da Marinha agora servia a um dos piratas mais cruéis e ambiciosos do mundo?
Essa decisão levantou teorias e debates entre fãs e críticos.
Estaria Aokiji infiltrado entre os Piratas do Barba Negra como espião?
Ou teria, de fato, perdido a fé em tudo o que acreditava e decidido seguir sua própria moral, mesmo que isso significasse lutar ao lado do inimigo?
O próprio Oda parece ter criado Kuzan como um símbolo da ambiguidade.
Em One Piece, a justiça nunca é uma linha reta. O Governo Mundial, supostamente defensor da ordem, comete atrocidades. E os piratas, tidos como criminosos, muitas vezes são os que lutam pela liberdade e verdade.
Aokiji é o retrato perfeito dessa contradição: o homem que entendeu que nem sempre a lei é justa e que às vezes é preciso quebrar o sistema para encontrar um novo tipo de justiça.
De Herói a Traidor ou de Servidor a Livre Pensador?
É difícil definir Kuzan com rótulos simples.
Para alguns, ele é um traidor, alguém que abandonou a Marinha e se vendeu ao inimigo.
Para outros, ele é um visionário, que percebeu as falhas do Governo Mundial e decidiu agir de forma independente.
Talvez Aokiji represente o que pode acontecer quando um homem justo vive tempo demais dentro de um sistema injusto. Ele se desilude e quebra. E então, tenta reconstruir sua moral a partir do zero.
Mesmo ao lado de Barba Negra, suas ações parecem guiadas por lógica própria. Ele não demonstra lealdade, mas, também não revela intenções ocultas.
E é justamente essa incerteza que o torna tudo tão interessante.
Aokiji é o personagem que força o público a repensar o que é “justiça” em One Piece.
Será que ela existe de fato? Ou é apenas uma ideia moldada pelo lado em que se escolhe lutar?
Conclusão: O Homem Que Caminha Entre a Luz e as Sombras
De todos os personagens da Marinha, Aokiji é, talvez, o mais humano.
Ele erra, duvida, se contradiz, mas nunca para de pensar.
Seu caminho, que começou em nome da justiça e continua entre os piratas, é um lembrete poderoso de que o bem e o mal em One Piece não são lados opostos, e sim partes do mesmo mundo imperfeito.
Seus atos controversos não o tornam vilão, mas também não o salvam.
Aokiji se tornou algo raro em obras de shonen, um personagem que não cabe em rótulos.
Ele é a própria pergunta que ecoa entre os mares do Novo Mundo:
“Quando o sistema falha, o que resta para quem ainda acredita na justiça?”
Créditos:
Título original: ワンピース (One Piece)
Criação e autoria: Eiichiro Oda
Mangá publicado por: Shueisha
Revista original: Weekly Shōnen Jump
Matéria Escrita por: Nakama A.L.11
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