DRAGON BALL SUPER: BEERUS | POR QUE RECONTAR UMA HISTÓRIA QUE OS FÃS JÁ CONHECEM?
Dragon Ball Super: Beerus | Análise da nova versão do anime, o que realmente muda nessa reconstrução e se vale a pena acompanhar a história de Goku e Beerus novamente.
DRAGON BALLANIMES
9/7/20266 min ler


Quando Dragon Ball Super: Beerus foi anunciado, confesso que a primeira pergunta que me veio à cabeça não foi sobre a qualidade da animação ou sobre como seria rever o Goku enfrentando o Deus da Destruição. Minha primeira reação foi muito mais simples: precisávamos mesmo acompanhar essa história novamente?
A chegada do Beerus já é conhecida por praticamente qualquer pessoa que acompanhou a fase moderna de Dragon Ball. Vimos esse encontro em Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses, lançado em 2013, e pouco tempo depois acompanhamos uma nova versão dos mesmos acontecimentos no começo de Dragon Ball Super. Agora, mais de uma década depois, a Toei Animation decidiu retornar ao ponto que marcou uma enorme mudança na história da obra.
E quanto mais informações são reveladas sobre Dragon Ball Super: Beerus, mais eu começo a pensar que talvez exista uma boa razão para isso.
A estreia está marcada para 11 de outubro de 2026 no Japão, e o projeto foi oficialmente apresentado como uma edição ENHANCED de Dragon Ball Super. O termo escolhido pela própria Toei ajuda a entender a proposta, porque não estamos falando simplesmente de pegar os episódios antigos, melhorar a resolução e colocá-los novamente na televisão.
A produção recebeu uma grande quantidade de novos cortes e cenas redesenhadas, enquanto o material existente passou por uma nova renderização. Também teremos novas gravações de voz, acréscimos na trilha sonora e nos efeitos sonoros e uma reconstrução da própria narrativa. Segundo a Toei, o objetivo é apresentar de maneira mais fiel e detalhada as ideias e o universo original criados pelo Akira Toriyama.
Para mim, essa reconstrução é muito mais interessante do que simplesmente melhorar a animação. O começo de Dragon Ball Super sempre teve uma posição um pouco complicada dentro da obra. Quando o anime estreou em 2015, o público ainda tinha muito fresca na memória a experiência de assistir a A Batalha dos Deuses. Em vez de começar imediatamente uma história inédita, a produção decidiu adaptar novamente aquele material para a televisão.
O resultado acabou fazendo com que a mesma história fosse contada duas vezes em um intervalo muito pequeno. E havia outro problema: o início de Dragon Ball Super ficou marcado pelas discussões sobre sua qualidade visual. Algumas cenas dos primeiros episódios se espalharam pela internet e viraram exemplos recorrentes das dificuldades enfrentadas pela produção. Mesmo que o anime tenha melhorado bastante ao longo de sua exibição, principalmente quando chegamos aos grandes momentos posteriores, aquela primeira impressão nunca desapareceu completamente.
Por isso, retornar ao Beerus em 2026 pode parecer repetitivo, mas também representa a oportunidade de reconstruir uma parte de Dragon Ball Super que sempre poderia ter sido melhor. Os trailers já permitem perceber uma diferença visual considerável nas batalhas, mas eu espero que a mudança não fique restrita a isso. Uma animação mais bonita certamente ajuda, principalmente em uma obra na qual os combates possuem tanta importância, porém não seria suficiente para me fazer acompanhar novamente uma história que eu conheço tão bem.
É a promessa de reconstrução narrativa que realmente desperta minha curiosidade. A própria divulgação mais recente começa a sugerir que Dragon Ball Super: Beerus pode alcançar um território maior do que apenas o primeiro confronto entre o Goku e o Beerus. O novo material promocional apresenta o Freeza e outras ameaças, enquanto a comunicação oficial fala em uma expansão da história. Isso indica que o projeto não pretende permanecer preso exclusivamente aos acontecimentos que conhecemos como a Saga do Deus da Destruição.
E isso muda bastante a maneira como eu enxergo essa nova versão. Se a proposta fosse simplesmente refazer A Batalha dos Deuses pela terceira vez, eu teria bastante dificuldade para encontrar um motivo para acompanhar semanalmente. O filme continua existindo, a primeira adaptação de Dragon Ball Super também está disponível e a história do encontro com o Beerus já cumpriu sua função dentro da obra.
Uma reconstrução de Dragon Ball Super, por outro lado, pode corrigir problemas de ritmo, melhorar cenas importantes e reorganizar acontecimentos com a vantagem de conhecer todo o caminho que aquela história percorreu posteriormente.
Hoje nós sabemos o tamanho que o universo apresentado através do Beerus alcançou. A chegada dele não serviu apenas para colocar outro adversário poderoso na frente do Goku. Foi a partir daquele momento que Dragon Ball começou a ampliar sua escala de maneira gigantesca, introduzindo os Deuses da Destruição, os Anjos e, posteriormente, outros universos.
O próprio Akio Iyoku, produtor executivo de Dragon Ball, destacou recentemente o papel do Beerus nesse começo. Ao comentar o projeto, ele apontou o Deus da Destruição como a presença que faz Dragon Ball Super começar a avançar.
Então existe uma oportunidade interessante de revisitar o personagem sabendo o que ele representaria depois. Também existe um elemento que impede Dragon Ball Super: Beerus de parecer apenas uma maneira de ocupar espaço enquanto esperamos alguma novidade: nós já sabemos que a história vai continuar.
Dragon Ball Super: The Galactic Patrol também está em produção. O novo anime seguirá os acontecimentos posteriores ao Arco da Sobrevivência do Universo e levará para a animação a história conhecida pelos leitores do mangá como o Arco do Prisioneiro da Patrulha Galáctica.
Isso pesa bastante na minha percepção sobre Beerus. Durante muito tempo, uma das maiores expectativas envolvendo Dragon Ball Super era saber quando o anime finalmente avançaria para o material que permaneceu restrito ao mangá. Se a Toei tivesse anunciado somente uma reconstrução de histórias antigas, eu provavelmente estaria entre aqueles perguntando por que não seguir diretamente para o conteúdo inédito.
Mas agora sabemos que as duas coisas estão acontecendo. De um lado, Dragon Ball Super: Beerus retorna ao começo e tenta reconstruir aquela fase com uma produção diferente. Do outro, The Galactic Patrol prepara o avanço da animação para uma história que ainda não ganhou sua versão em anime.
Isso faz com que eu enxergue o projeto de 2026 muito mais como uma oportunidade de oferecer um novo ponto de partida para Dragon Ball Super do que como um substituto para sua continuação. Ainda assim, existe um risco que nenhuma melhoria visual consegue eliminar: a sensação de repetição.
Quem acompanha Dragon Ball há muitos anos sabe exatamente quem é o Beerus, conhece o Super Saiyajin Deus e sabe como termina aquele primeiro confronto. O elemento de descoberta que existia em 2013 simplesmente não pode ser recriado. Então Dragon Ball Super: Beerus precisa encontrar outros motivos para justificar nosso retorno.
As cenas inéditas podem ajudar. Uma reconstrução melhor do ritmo também. Alterações na maneira como determinados personagens são apresentados e uma conexão mais natural entre os acontecimentos podem fazer diferença. Se o projeto conseguir aproveitar aquilo que funcionava nas versões anteriores e corrigir o que envelheceu mal ou não recebeu o desenvolvimento necessário, talvez acompanhar essa história pela terceira vez não seja tão redundante quanto parece.
O novo trailer divulgado em setembro aumentou um pouco minha expectativa nesse sentido. Além de confirmar a estreia japonesa para 11 de outubro, ele apresenta novas imagens e reforça a ideia de que teremos uma produção visualmente muito diferente daquela exibida em 2015. Também foram reveladas as novas músicas: “ONOGAMI”, do MEGATERA・ZERO, será a abertura, enquanto “Kan Peki No Peki”, do VK Blanka, ficará responsável pelo encerramento.
Ainda não acho que uma animação melhor, sozinha, seja motivo suficiente para dizer que essa será a versão definitiva da história. Para chegar lá, Dragon Ball Super: Beerus precisa mostrar que a palavra ENHANCED representa mais do que uma atualização estética.
Precisa aproveitar a reconstrução anunciada pela Toei para melhorar a narrativa, dar mais força aos momentos que não funcionaram tão bem anteriormente e entregar uma versão que consiga existir ao lado de A Batalha dos Deuses sem parecer apenas uma repetição mais bonita.
Eu também não acho que precisamos escolher uma versão e apagar as outras. O filme de 2013 possui seu próprio valor dentro da história de Dragon Ball, principalmente por tudo que representou naquele momento. A versão televisiva de 2015 também faz parte da trajetória da obra, com seus acertos e problemas. A existência de uma terceira interpretação não muda isso.
O que ela pode fazer é oferecer uma experiência diferente. E talvez seja esse o maior desafio de Dragon Ball Super: Beerus: convencer quem já sabe exatamente o que vai acontecer de que ainda existe alguma coisa nova para encontrar nessa história.
Pelo que a Toei revelou até agora, eu estou mais interessada do que estava quando o projeto foi anunciado. A combinação de novos cortes, cenas redesenhadas, reconstrução narrativa, nova parte sonora e uma produção que promete se aproximar mais das ideias originais do Akira Toriyama mostra uma ambição maior do que eu esperava inicialmente.
Mas a resposta definitiva só virá quando pudermos assistir ao resultado. Porque, depois de acompanhar a chegada do Beerus mais de uma vez, eu não preciso que Dragon Ball Super simplesmente conte essa história novamente. Eu preciso que ele me dê um bom motivo para querer vivê-la outra vez.
Creditos:
Obra: Dragon Ball Super © Bird Studio / Shueisha / Toei Animation
Fontes oficiais: Toei Animation / Dragon Ball Official Site
Redação e análise: Helena Fortuna Animes
Revisão: Helena Fortuna Animes
Imagens: Geradas por Inteligência Artificial (IA) para o Helena Fortuna Animes
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